E ai, aconteceu que uma garota com seus 30 e poucos anos que apesar da idade, ainda não sabia direito como lidar com as pessoas e com os relacionamentos interpessoais, conheceu uma outra garota que desfrutava também dos seus 30 e poucos anos, mas, já naquela data, ela soube pela sua intuição, que aquele não seria um bom relacionamento.
Apesar de ingênua e um pouco boba demais, ao conhecer aquela pessoa, sentiu claramente que aquele tipo de personalidade não lhe caia bem, pois, arrogância, estupidez, desdém e algumas mentiras, permeavam o modo de viver da tal fulana.
Dez anos atrás, a garota que escreve, decidiu que não iria manter contato com esta nova pessoa inserida em seu meio, pois, sua mente não se sentia em paz na presença dela, dada a sua personalidade caótica e fútil, como lhe parecia ser.
O tempo passou e nas idas de 2020, o mundo enfrentou o isolamento social fruto da pandemia e, esta que vos fala passou por dias bem nebulosos (pra não tirar o mérito dos piores dias da vida dela, até então, em corredores de hospitais e leitos de UTI).
Pra sua surpresa, uma outra pessoa que lhe era muito agradável, lhe convidou para fazer uma visita a uma amiga que no caso, era a tal fulana de 10 anos atrás.
A vida pra elas também não estava fácil, amores e relacionamentos doentios haviam lhes tirado muita coisa dos seus corpos, das suas mentes, dos seus bolsos e, principalmente, das suas almas.
E a mágica estava feita: aquela não parecia mais ser a tal fulana arrogante, estúpida e fútil de anos atrás!
Mas, como se sabe, o tempo é o senhor e conforme foi passando, era claro pra mim que entre nós, havia apenas um coleguismo, já que a amiga em comum, era a confidente fiel da fulana. E tudo bem que fosse assim, já que o contrário não seria real ou genuíno.
E tudo ficou bem, até que a vida decidiu colocar uma pessoa na vida desta fulana, que conseguia a completar como jamais aconteceu na vida dela e, em contrapartida, lhe tirar a paz, também como jamais havia visto antes.
As dificuldades de convivência passaram a ser tornar imensas e aquelas características de anos atrás, pareciam ter saído da latência e se tornaram dia a dia, mais evidentes e extremamente irritáveis para esta que vos escreve.
Dentro do meu eu, retomaram - se os conflitos anteriores a respeito da permanência desta pessoa, na minha vida, mas, considerando que eram apenas rompantes e momentos de estresse, segui ignorando os sinais (que iam desde a indignação ao presenciar a fulana desfazer de vendedores e entregadores, a como ela lidava com a dor do outro, com as necessidades do outro).
Assim, fui convivendo com a fulana e com todo o caos que ela me trazia, mas, conscientemente, decidi sempre fazer o que fosse melhor para que não houvessem conflitos entre nós, pois, as coisas poderiam sair do lugar.
E, como já se sabe, a estratégia não vingou...
Em dado momento, ao perceber que já não era mais parte daquele grupo de pessoas, decidi me priorizar e me afastar. Recusei convites... e assim as coisas foram voltando a normalidade dentro de mim.
Acompanhava pelas redes sociais que a fulana e a amiga em comum, fizeram inúmeras viagens românticas e de casal e, sempre me dizia: Ufa! Eu não caberia mais aí dentro!
Ao mesmo tempo, me dizia: ela não sente falta de sua amizade, pois, ela está bem com os que estão ao lado dela e, desta maneira, segui em frente, aliviada em partes.
Até que um dia, a fulana me ligou para me contar que iriam dar um UP na vida, que iriam se mudar e que a minha presença era necessária e, ao contrário do que pensei naquele momento, que isso se devia a consideração que ela tinha por mim, já que estive presente desde o inicio daquela história de amor, apoiando, trazendo ambos pra realidade e a fazendo muitas vezes, enxergarem os erros que cometiam, dessa vez, ela iria precisar de BRAÇOS para ajudar com a mudança, e que após voltarem de um show de pagode na praia grande, no sábado pela manhã, iriamos iniciar a mudança.
Extremamente chocada e sem saber o que fazer, eu confirmei que iria, mas, minha intuição me dizia pra eu não ir e, de fato, não fui.
Não avisei que não iria por ter me sentido usada, por me sentido desprezada, exatamente como eu via ela fazer com as outras pessoas e ignorava.
Resultado: Fui humilhada em público!
Fui acusada de não ter o mínimo de responsabilidade afetiva, de ignorar as pessoas, já que só permanecia onde queria estar e onde eu teria algum tipo de benefício. Que marcava e não aparecia.
E ai?
Responsabilidade Afetiva para com o outro é isso?
Se ignorar para suprir as necessidades e vontades alheias?
Certeza que não!
E agora, depois de bons meses, consigo lhe dizer: Fulana, você está errada! Ter responsabilidade afetiva é ser verdadeira, real, principalmente consigo.
E assim, sigo leve, de consciência limpa e certa que o tempo é o senhor, mas, que a intuição é a rainha!